Depois de três anos e meio, chegou o grande dia. Depois de muitos desencontros, alegrias e tristezas, sonhos e muitos sacrifícios. Ufa!!! Estou formado, sou Jornalista.
É o fim de um ciclo na minha vida e de mais 29 colegas, que deixa o banco da faculdade e entra no mercado de trabalho. É bem verdade, que alguns de nós já militamos no jornalismo há algum tempo, mas enfim, é só alegria. Nem mesmo os senhores supremos, que tudo sabem, podem jogar água em nosso chopp, desobrigando a exigência da formação em jornalismo para exercer a profissão, abrindo o mercado por completo a pessoas sem o mínimo preparo para exercer a atividade.
Toda e qualquer pessoa que desejar ser um Jornalista com “J” maiúsculo, deve cursar uma faculdade para adquirir condições técnicas de comunicar. É bem verdade que alguns precisam, outros não.
Jornalismo antes de tudo é a arte de informar. E quando se trata de arte, a única coisa que não pode faltar é o talento, e o talento já se nasce com ele. A faculdade é para capacitar e aprimorar o individuo, dando-lhes noções e habilidade para fazer do jornalismo uma atividade, com respeito e ética acima de tudo.
Como profissional de comunicação, acredito numa imprensa livre, comprometida com a informação, séria. E isso não pode ser compromisso somente dos jornalistas diplomados. Existe muita gente boa que escreve sobre temas diversos com conhecimento de causa, denunciando as mazelas que acometem nossa sociedade. Mas, existe outra metade de profissionais, atrelados a pessoas e grupos, aonde suas lavras são sempre comprometidas com o patrão, não respeitando o direito do cidadão de opinar e levar a público suas opiniões, sem restrições.
Na maioria das vezes, este profissional desprovido de bom senso, já é deformado por natureza e escolheu o jornalismo para dar vazão aos seus instintos insanos. O que faz um péssimo jornalista é a falta de talento e de caráter, que se traduz em mediocridade demonstrada no dia-a-dia do seu trabalho e o mercado está cheio de gente assim.
O bom jornalista tem formação cultural sólida e cultiva o hábito da leitura e da escrita, tem bom relacionamento com seus pares, respeita seu próximo e vê a atividade como um sacerdócio, além disso suas fontes são preservadas a qualquer custo e isso se a vida ensina, a faculdade aperfeiçoa.
Não sou contra o jornalismo nem tampouco contra o diploma de jornalista. Sou a favor da informação séria, sem ranço e com a liberdade do cidadão respeitada. Agora querer achar que o fim da exigência do diploma de jornalista, dá direito aos grandes e pequenos meios de comunicação a contratar para seus quadros, pessoas sem a mínima provisão de ética, só porque esse “profissional” é lambe botas do dono do jornal é condenar o jornalismo ao descrédito total com a sociedade
O jornalismo sério é o pilar que sustenta toda e qualquer democracia, e ainda dá possibilidade da democratização da arte, do entretenimento, da educação, da saúde abrindo portas para o surgimento de um novo país.
Findo com uma poesia do Professor Paulo Rios, que traduz o momento passado e a expectativa de futuro para todos nós jornalistas formados pela Faculdade São Luís 2009.1, turma 302.
Virtuosos e afortunados jornalistas
Fiquei
deveras feliz, cheio de contentamento
Com o coração quarentão batendo acelerado
Tanto, que quase não aguento
A pressão a 14x10, me deixando preocupado
Demais.
No entanto, um pouco relaxado
Sem abrir a guarda, claro!
Gratificado, sim
Pelo cumprimento do labor [lembram-se?]
Mas, muito mais, pela ação
Na esfera na qual os "sem diploma"
Mostrarão a sua virtú
E cheios de Fortuna, se reencontrarão com a
Academia.
Críticos, conscientes do seu papel singular
Nessa sociedade onde "anjos" decaídos
Com todo o respeito, Excelências
Sem pudor e dignidade alguma, detratam os nobres e engenhosos
Cozinheiros dessa suprema nação.
o que será de nós, sem eles
Excelências, cozinheiros, jornalistas?
Caríssimos, não esqueçam jamais do Tamoio e de sua canção
E do seu lema eterno
Que a vida é combate
e que está reservado aos fortes
o caminho da Glória
E da superação das iniqüidades e injustiças
Como também da indiferença
Que retira de nós a nossa
Condição humana.
Assim falou Zaratrusta!
Paulo
Rios







